OBESIDADE HOJE – PROBLEMAS E SOLUÇÕES


A OMS revelou que mais de metade da população mundial obesa ou tem excesso de peso e que a obesidade está em franco aumento, considerando esta doença como a epidemia do século XXI.

Portugal não é excepção e temos entre nós cerca de 200.000 doentes com obesidade mórbida necessitando de tratamento cirúrgico.

A globalização e alteração dos hábitos alimentares aliada ao estilo de vida sedentário são responsáveis pelo aumento anual da obesidade, sendo já considerada como a doença crónica com maior incidência.

Com o aumento de peso, um maior número de doenças se associam, sendo progressivamente maior o risco de sofrer de doenças cardiovasculares, diabetes, incapacidade por doença osteoarticular, apneia do sono, cálculos da vesícula biliar, diminuição da fertilidade e mesmo um maior risco para algumas doenças oncológicas como tumores da mama, endométrio e do cólon. 

Frequentes são ainda a discriminação para candidaturas a empregos, rejeição social e prejuízo das vivências familiares, sociais e da vida afectiva e sexual.

Ao longo dos anos, os doentes obesos confrontam-se com repetidas tentativas de perda de peso, através de programas de dietas, medicação, regimes de actividade física, sem obterem qualquer sucesso, sendo frequente que ao fim de décadas de tratamentos se encontrem em fases cada vez mais graves da sua doença.

Entende-se por excesso de peso, o valor de 25 a 30 no índice de massa corporal (IMC) e por obesidade ligeira os doentes com valores de 30 a 35 e havendo indicação cirúrgica para IMC superior a 35. 

Os doentes com excesso de peso e obesidade ligeira tem indicação para colocação do balão intragástrico realizado por via endoscópica.

Os doentes com obesidade mórbida com IMC superior a 40 e os doentes que apresentem um índice de massa corporal entre 35 e 40 e se portadores de doenças que possam melhorar ou curar com o tratamento efectivo a longo prazo da obesidade, deverão ser submetidos a intervenção cirúrgica bariátrica, habitualmente a gastroplastia com banda gástrica, sleeve gástrico, bypass gástrico  e a derivação bileopancreática realizados por laparoscopia, desde que aprovados no estudo multidisciplinar de avaliação e preparação pré operatória.

A cirurgia plástica tem o seu papel importante na correção das sequelas que possam existir após grandes perdas de peso e de volume, principalmente se essa redução acontece rapidamente e sem ser acompanhada de actividade física programada.

Dr. Jorge Limão
Responsável Médico da SIC BM
Cirurgia Bariátrica e Metabólica no British Hospital